4/14/2010

Do cajado de Pedro para o caduceu de Esculápio: da tutela eclesial para a tutela médica.

Do cajado de Pedro para o caduceu de Esculápio: da tutela eclesial para a tutela médica.


Vamos analisar duas notícias:

A primeira refere-se `as estratégias da igreja católica
para se defender das evidências de pedofilia e abuso sexual:

"Muitos psicólogos e psiquiatras demonstraram que não há relação entre celibato e pedofilia, mas muitos outros demonstraram que há entre homossexualidade e pedofilia", disse o cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado do Vaticano, em entrevista coletiva em Santiago reproduzida por agências de notícias” (Folha de São Paulo, 13 de abril de 2010).


A segunda, o recuo em relação `a condenação do aborto em meninas abusadas:

“Há cerca de um ano, quando outra menina, de 9 anos, também vítima de abuso, passou pelo mesmo procedimento, o então arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso, foi contra - os médicos do Cisam e a mãe da vítima acabaram excomungados pela Igreja.

Sucessor de dom José, dom Fernando Saburido declarou-se "triste", mas disse que a decisão é dos pais. "Se há um consenso médico de que a vida da mãe corre risco, o aborto é algo a ser considerado." D. Fernando disse, porém, que a Igreja é contra o procedimento. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo”.(11 de avril de 2010, agência Estado)

Em ambos os eventos, assistimos a passagem do poder eclesial para as esclarecidas mãos do poder médico.
Avançamos? ou não passamos de ovelhas assistindo `a troca do cajado de Pedro para o caduceu de Mercúrio, símbolo do poder médico de Esculápio?

Merece uma reflexão: os “direitos reprodutivos” -contracepção, parto e aborto,- são atos médicos, exclusivos dos médicos, conforme foi aprovado pela Câmara e está para ser consagrado pelo Senado.
Lembremos que desde o século XVIII a “ciência “ vem disputando o controle dos corpos das muilheres com a igreja. E, assim como viam os padres, a maioria das mulheres veem os médicos como seus aliados.
O corregedor do Conselho Regional de Medicina de São Paulo afirmou recentemente que “o parto é um ato médico”.
Esse mesmo conselho não cassou o diploma do estuprador Roger Abdelmassih, mesmo sendo denunciado por mais de 40 mulheres e depois de ficar preso por meses (saiu via Gilmar Mendes, outro poder patriarcal).

Os padres não podem mais estuprar impunemente. Só os médicos. O estupro também é um “ato médico”. E a velha igreja pode acionar alguns“cientistas” para de novo tornar patológica a homossexualidade.
Como se sabe, “cientistas” têm patrões.
Mas nunca patroas, como sabemos também.

Ana Reis

3/15/2010

IVGs

se são 1 milhão por ano, é desobediência civil.
tradicionalmente um ato de desobediência civil.
históricamente adotado pelas mulheres do país, resistindo `a lei injusta. ilegítima.

1/25/2010

direitos retrôdutivos

parto, contracepção, aborto.
todos são atos médicos.inclusive o coito programado.